4 de nov de 2010

#de outro lugar

Acordei numa manhã ensolarada de um quase novembro esquecido. Tinha tudo dentro de mim. Tinha esperanças, amores, fantasias. Agora só resta alguma coisa indefinível e incomunicável. Não sinto nada mais do que um simples medo e pavor de que as coisas dentro de mim estejam esquecidas. Do resto, tenho um súbito desejo de que aqui dentro não exista só folhas secas e galhos tortos. Estou tão esquecida e tão estagnada que nenhum desejo brota em mim. Estou só.

Eu tentei de todas as formas organizar mentalmente o que eu sinto, da forma que eu sinto, em que circunstâncias eu sinto. Pobre de mim, não sabia que a definição limita a possibilidade de crescimento e de potência. Quis muito esquecer todos os janeiros, fevereiros, marços, abris, maios, junhos, julhos, agostos. Quis apagar tudo em mim, me perder no infinito da minha pequena existência. Quis ser diferente, quis tentar, quis mudar. Mas, de forma alguma sabia que algumas feridas não cicatrizam tão rapidamente. O sangue brota, a ferida fica.

Nunca soube de todas as pessoas que existem em mim. Mas, são tantas, tão vastas e tão distintas que você seria incapaz de reconhecê-las. Sou eu, em mim, em você, e em outras mil pessoas. Hoje sou tudo e não sou nada. Hoje não quero nada mais do que um simples suspiro me avisando da próxima parada. Para onde vamos? Quem me guia? Hoje sou só essa pessoa que está eternamente a procura do inexistente.

Eu quero ir embora. De mim, dos outros, de você. Queria poder acordar e não lembrar de nada o que aconteceu até hoje. Queria ser nova. Queria acordar em um novo corpo, em uma nova cidade, com uma nova família. Queria esquecer todos os segundos que se passaram até hoje. Queria poder entender tudo isso e não ter a sensação de que tudo está indo embora aos poucos...

Tudo foi embora... Sou uma torneira vazando gota por gota. Sou uma gota de orvalho em um inverno esquecido. Não sou nada. Não quero ser nada e não quero ter nada, apenas por um segundo, apenas por esse momento.