29 de ago. de 2011
7 de ago. de 2011
Todos os dias sempre o mesmo.
Mesmas pessoas. Mesmos gestos. Mesmas noites vazias. Mesmas saídas. Mesmas frustrações. Mesmos medos. Cansada de tentar mudar. Cansada de todas as tentativas. Cansada do hoje, do amanhã. Cansada da vida e do que isso tudo trazia...
Cansada, cansada, extasiada mentalmente e profundamente doída.
Mãe, me interna, porque eu tô infeliz pra caralho - quis dizer.
Mesmas pessoas. Mesmos gestos. Mesmas noites vazias. Mesmas saídas. Mesmas frustrações. Mesmos medos. Cansada de tentar mudar. Cansada de todas as tentativas. Cansada do hoje, do amanhã. Cansada da vida e do que isso tudo trazia...
Cansada, cansada, extasiada mentalmente e profundamente doída.
Mãe, me interna, porque eu tô infeliz pra caralho - quis dizer.
3 de ago. de 2011
Sobre tentativas
"É tempo de me fazer, eu sei. E sei que é bom ser ainda indefinido. Pelo menos as deformações não calaram fundo, não se afirmaram em feições. É bom, sim, mas ao mesmo tempo é terrível. Porque me vem o medo de estar agindo errado, de estar gerando feições horríveis, que mais tarde sairão com facilidade. Não, não é fácil ser a gente mesmo da cabeça aos pés, da unha do dedo mindinho até o último fio de cabelo. "
Dos últimos dias, garantiu algumas certezas. Aqueles velhos sonhos mágicos, aquilo em que acreditava, aquilo distante.. não passavam de incertezas malditas, olhares perdidos e sentimentos vazios. Dos últimos dias, soube que muito daquilo não passava de tentativas, tristes, despertas e fugazes. Tentativas erradas, tentativas frustradas.
Dos últimos dias, aprendeu que o que realmente importa é o que fica, o que é substancial ao dia e aos gestos. Dos últimos dias, aprendeu que as verdadeiras pessoas são aquelas que são claras e simples. Nunca havia pensado nisso, mas a simplicidade, essa tão almejada, tão perdida, tão amada, muitas vezes é mascarada. As velhas questões, os velhos problemas, o mesmo ciclo vicioso: relacionamentos problemáticos e estranhos.
E ela, que havia sempre se interessado por esse tipo de gente "os estranhos e problemáticos", entendeu que, na verdade, o que precisava era um pouco de paz. Um descanso da loucura... das vozes que gritam, das palavras que machucam, dos jogos de amor. Isso já não valia a pena, afinal, era tempo de se fazer, ela sabia disso... só não sabia se estava agindo corretamente.
"Que seja calmo. Que seja doce, que seja claro. Chega dessas situações inúteis e vazias. Prefiro livros problemáticos a pessoas problemáticas..." Dizia ela, pensando que talvez, depois de tudo, tenha aprendido que a vida é muito mais do que uma sucessão de amores platônicos, não correspondidos, dolorosos.. que a vida é mais do que uma música do Belle & Sebastian ou do Jeff Buckley.
Já não chorava, já não gritava, já não entendia. Por dentro, só vazio e som. Por dentro, só indefinição. Mas, era muito melhor do que se doer por mais uma pessoa que não se preocupava e nem respeitava seus sentimentos. Agora podia voar...
31 de jul. de 2011
29 de mai. de 2011
You are a tourist ~
O que faz as pessoas realmente quererem ir embora? O que faz você se sentir um turista na cidade em que você mora? Elaboro mil ideias, mil planos, mil tentativas para ir embora e nunca mais voltar. Não tenho casa, não tenho lugar, nada me prende. Transito nesses lugares escuros e nada me faz querer ficar. Eu, que sempre estou indo embora dos lugares, ter que ficar, ter que me fixar. Não importa, não importa, não importa, não importa ~
26 de mai. de 2011
Vestígios de Alice - III
"Hanging so high for your return, but the stillness is a burn. Had I seen it in your eyes, there'd have been no try after try, your leaving had no goodbye, had I just seen one in your eyes...
12.03.1994
Dear Jam,
Como vai você? Tudo bem? Como está a Terra Gelada? Ontem estava a olhar as cerejeiras no jardim e pensei em você. Sim, nada tão irônico, algo que nos uniu agora nos separa: nosso jardim. Já não consigo olhar o que um dia floresceu tanto os meus dias. Já não consigo sentir seu aroma dentre as pétalas verdes, amarelas.. dentre nossas cerejeiras. Atravesso aos poucos esse nosso lugar e não consigo lembrar da última vez que estivemos juntos. Você lembra? O que emerge na sua memória? Quais são suas lembranças? O que você sente? Quem é você? Já não o conheço mais, e apesar dos esforços.. parte de você ainda vive em mim. Parte das suas muitas partes, dos seus muitos eus. Algo como seus sorrisos, seus gritos e suas cambalhotas no chão. Não sei quem você é. Não sei quem você foi. E, sinceramente, não sei se o silêncio me ajuda a saber. Só sei que você não preenche mais meus pensamentos tão vazios. Você, um passado cada vez mais passado. Enterrado, soterrado, engolido pela força da distância e do silêncio. Você se importa? Não? Você já chorou alguma vez? Você já sentiu alguma vez? Alguma vez você foi verdadeiro? Lembra dos meus vestígios? Lembra de mim? Cartas rasgadas, jogadas, discos rachados. Letras riscadas, caixas quebradas. Vestígios de Alice. Meus vestígios. Seus vestígios. Nosso amor. Destruído, colocado no lixo. Você quem fez isso? Foi você que passou a acreditar que os vestígios já não faziam parte de nós? O que aconteceu? O que você fez comigo? Vestígios de Alice. Vestígios de um amor. Lembranças de um jardim. Nossos discos, nossas rimas pobres de amor. Suas mentiras. Suas falsas promessas. Minhas tentativas. Minha ingenuidade. Meu amor. Sua vida. Seus muitos eus. Suas lágrimas. Sua distância. Suas auto-sabotagens. Sua auto-destruição. Nossos, minhas, seus. Tudo atravessado, recolhido, recortado. Tudo colado em pedaços. Nossos pedaços. Seus pedaços. Meus pedaços. Tudo aqui, jogado, na cama, no chão, na parede. Tudo lá, na cama do canto da parede. Noites, dias, tardes. Pedaços. Apenas pedaços. Você me fez acreditar que talvez fosse real, mas era apenas mais uma história para seus livros. Era apenas mais um conto, uma poesia, uma história. Um romance. Destruído. Amargurado. Eu era apenas mais uma linha no seu livro. Uma linha. Um nó. Um 'entre'. Uma palavra. Um gesto. Dois discos e muitas cartas. Agora riscados e rasgados. Meus vestígios. Seus vestígios. Nossos, até o dia em que você resolveu voltar a ser aquela velha pessoa. Até o dia em que você destruiu nosso jardim e matou nossas cerejeiras.
E apesar de tudo, confesso que estou bem, estou forte. Passei da época de achar que não fui boa o suficiente. Eu fui, muito mais do que você.
Com [ainda] amor, Alice.
E apesar de tudo, confesso que estou bem, estou forte. Passei da época de achar que não fui boa o suficiente. Eu fui, muito mais do que você.
Com [ainda] amor, Alice.
6 de mai. de 2011
Vestígios de Alice - II
"It's too late, I'm no longer full, just uncomfortable, uncomfortable..."Seus papéis rasgados, discos quebrados, caixas estocadas, cartas não enviadas... tudo agora reconstruído. Seus pedaços, seus vestígios, seus sentimentos.. Alice agora tentava juntar tudo com durex, com fitas, com lágrimas. Reconstruir-se, recompor-se, reinventar-se.
Suas lágrimas se mesclavam a um gosto amargo de fracasso e solidão. Alice, sua paz, sua vida, seu coração. Por um longo tempo achava que seria completa, por um longo tempo. Por um tempo, através desse tempo, ela havia acredito na forma mais bonita e singela de amor.
Nada mais restava, senão lágrimas, confusões mentais, recomposições falidas, sentimentos alheios, raiva, dor e outros elementos embaraçados. Alice já não dormia, já não comia, já não sorria, já não amava. Suas manhãs, tardes e noites eram um eterno mal-estar, um sentimento vazio e uma dor sem precedentes.
O que aconteceu com a sua vida? Quanto tempo Alice se fadará a escrever? O que dói tanto, Alice? O que machuca tanto? Você, que achava que seus problemas eram visuais, estéticos. O que aconteceu agora? Acorde, Alice.
E ela ia vivendo os dias como se outros dias não existissem. Cada dia a mais era uma espécie de "um dia a mais que não passa". Os dias vazios, os dias vazios.. seus dias vazios. Cada dia mais procurando razão em alguma coisa. Cada dia mais.. sem encontrar. Vazia, sozinha, fadada e doída.
29 de abr. de 2011
Vestígios de Alice - I
Em um dia qualquer, em cima da mesa, o livro "conversações", canetas, corretivos, relógios marcados, fotos rasgadas e cartas no chão. Alice sabia que algo estava acontecendo, que algo seria maior do que tudo isso, que talvez ela não entendesse quais os seus sentidos, seus problemas, suas ruínas..
O livro, as canetas, as cartas, fotos, relógios, camas bagunçadas, papéis rasgados, ouvidos tampados.. Uma breve sensação de que tudo ao se redor estava se acabando aos poucos, poucos, poucos. Sua paz, eminentemente frágil e ingênua, já não era paz... seu caos já não correspondia a sua bagunça. Tudo estava revirado, tudo estava quebrado, tudo estava rompido.
Sua vida, seus livros, sua televisão, seu quarto. Seu aparente lugar e sua destruição falida. Será que ela estava ficando louca? Abria o guarda-roupa, encontrava vestígios de amores, promessas e razões para continuar. Abria suas gavetas, encontrava contas, apostilas, xérox. Todas as suas pequenas aquisições a fazendo lembrar que não queria mais viver debruçada em um passado, amargurada em ilusões e tentativas.
Tentou, por todas as horas, minutos e segundos, entender o que se passava, e cada vez mais chegava a conclusão que sua vida já não se passava, apenas se arrastava. Alice, sua paz, sua vida, seu quarto, seus vestígios. Onde você está Alice? O que você quer? O que você deseja? Papéis jogados na cama, fotos rasgadas no chão, promessas quebradas... vestígios de Alice.
O livro, as canetas, as cartas, fotos, relógios, camas bagunçadas, papéis rasgados, ouvidos tampados.. Uma breve sensação de que tudo ao se redor estava se acabando aos poucos, poucos, poucos. Sua paz, eminentemente frágil e ingênua, já não era paz... seu caos já não correspondia a sua bagunça. Tudo estava revirado, tudo estava quebrado, tudo estava rompido.
Sua vida, seus livros, sua televisão, seu quarto. Seu aparente lugar e sua destruição falida. Será que ela estava ficando louca? Abria o guarda-roupa, encontrava vestígios de amores, promessas e razões para continuar. Abria suas gavetas, encontrava contas, apostilas, xérox. Todas as suas pequenas aquisições a fazendo lembrar que não queria mais viver debruçada em um passado, amargurada em ilusões e tentativas.
Tentou, por todas as horas, minutos e segundos, entender o que se passava, e cada vez mais chegava a conclusão que sua vida já não se passava, apenas se arrastava. Alice, sua paz, sua vida, seu quarto, seus vestígios. Onde você está Alice? O que você quer? O que você deseja? Papéis jogados na cama, fotos rasgadas no chão, promessas quebradas... vestígios de Alice.
26 de mar. de 2011
Acorda, seu sono não é paz.
Dentre noites não dormidas e dias não vividos ela arrastava seus pés no chão frio da casa. A noite passou, o dia começou, e a terrível constatação: apenas conseguiu dormir três horas. Acorda, seu sono não é paz.
Então, ela acordou, e pensou, pensou, pensou consigo mesma, formas, passos, caminhos, ideias, qualquer coisa que pudesse eliminar por algum instante aquela dor ou cessar aquelas lágrimas.
Deitou na cama, conversou com a mãe, fingiu estar bem. Disse em algumas poucas palavras algo que a mãe nunca entenderia, e partiu para a cozinha. Ela achou que fazendo um sanduíche ficaria melhor. "Deve ser fome, fome".
E enquanto o sanduíche estava sendo tostado, o cheiro de queijo fresco subindo nas paredes da cozinha.... ela começou a pensar em tudo o que poderia fazer, novamente, novamente, novamente, até chegar a um ponto em que soube que o cheiro do pão não a estimulava. E chorou, chorou, chorou, suas lágrimas se misturando ao pão, ao cheiro, as paredes da cozinha, tão brancas.. tão parte de tudo e tão parte dela. Pegou o pão na mão, olhou, olhou e não sentiu vontade de comer um só pedaço.
Foi aí que descobriu que o problema talvez fosse um pouco pior. Sim, estava sofrendo. Agora, só restava uma coisa seca, um olhar indefínivel, palavras proferidas ao vento...
Por alguns instantes, ela fechava os olhos e deixava aquilo tudo guiar a sua vida. Ela deixava as suas mãos deslizarem no teclado, até chegar a conclusão de que sim, sofria, chorava, sofria, chorava, sofria, chorava, e sofria e chorava, e não sabia mais o que tinha entre o sofria e o chorava. Por tempos, não sabia o que era amar, ou se doar, ou sofrer. Por tempos não sabia que as três coisas estavam atreladas e que, ao mesmo tempo, as três se anulavam.
Parece incrível acordar e, mesmo não acreditando em nada, ainda assim levantar, escovar os dentes, tomar banho, andar nas ruas.
Ela não sabia que era amor, ou que era essa coisa enorme que, ao fim, fosse destruir tanto tudo dentro dela.
15 de mar. de 2011
E decidiu...
E decidiu: vou voltar a escrever...como se não fosse tarde, como se não fosse hoje, como se não fosse amanhã.
Que todo esse fogo, todo esse grito e toda essa resistência sejam um pouco mais vivos do que o cotidiano consumido, estragado. Que todas essas palavras entre nós e linhas sejam mais vermelhas e sangrentas do que essas ruas sujas.
Então, ela decidiu: por que não agora? Por que não hoje? Vou voltar a escrever para me sentir mais viva e mais consciente de todas essas cotidianidades. Vou voltar a escrever para não me perder dentre os espaços das horas e dos minutos e dos segundos. Vou voltar a escrever para dividir minha dor com alguém. Vou voltar a escrever para não dividir minha dor com alguém. Vou voltar a escrever para sangrar até a última gota, para dizer que estou mais viva agora depois que te conheci.
Vou voltar a escrever para contar a nossa história ou para contar a minha história. Vou voltar a escrever porque foi a escrita que criou o nosso encontro, que flagrou o nosso desejo e perpetuou o nosso amor. Vou voltar a escrever para contar mais mentiras e subvertê-las em verdades, já que...
as minhas verdades me bastam, mesmo que sejam mentiras. (c. f)
Você não entenderia.
De todas as coisas, todas as palavras, todos os fatos e todas as mágoas: não, você não entenderia.
Todos os dias você chega em casa, liga o computador, checa os e-mails, acessa a orkut / facebook. Fala com os seus colegas e amigos, conversa sobre trivialidades, escuta música, depois come, escova os dentes e se prepara para dormir.
Você está chateado, sem saco, estressado, querendo mandar o mundo se foder, e sempre chega aquela pessoa em algum chat descarregando a sua vida para você. Com calma, parado, você se pergunta: que porra é essa? ou, em outras palavras, what a fuck? E aí a pessoa passa o tempo inteiro falando o quanto a sua vida é ruim, o quanto o seu relacionamento está péssimo, como poderia ser melhor, em quais circunstâncias poderia ser melhor, e você, do outro lado, pensando: todos os dias sempre o mesmo: as mesmas palavras, as mesmas raivas, as mesmas frustrações e as mesmas tristezas. Chega a um ponto em que você até pensa se todas as pessoas são sempre assim.. um mesclado de narcisismo com egoísmo, uma pitada de autoexigência e um tempero de perfeccionismo.
Você começa a questionar se isso tudo é só um momento, ou se todos os momentos são parecidos e as pessoas apenas mudam de roupagem. Você pensa em tudo e chega a conclusão que esse texto talvez seja uma crônica de relacionamentos afetivos falidos. Yeah, pós-modernidade em voga e todos estão falidos, fodidos, amargos, mal pagos; inclusive você, e tudo não passa de um grande WHAT A FUCK, em letras garrafais, vermelhas, italícas, bordados, riscados e tudo o mais.
Você não entenderia. Você não é capaz de entender se você não pára de olhar pro seu próprio umbigo, pra sua própria vida, pro seu próprio relacionamento falido, pós-moderno, caótico. E no dia que tudo se acabar, você vai sentir um vazio tão enorme.. e vai se perguntar cadê seus amigos.
E os meus amigos, cadê?
Talvez você esteja lendo isso e se identificando. Talvez você seja o amigo falido, ou talvez você seja o que vai dizer: "você não entenderia". Talvez você leia e não concorde em nada. Talvez você seja ingênuo demais em acreditar que o céu é azul. Mas, eu digo, caro colega: são poucos os que te dão bom dia.
13 de fev. de 2011
One day, I'm going to grow wings
"One day Im going to grow wings
A chemical reaction
Hysterical and useless
Hysterical and..."
31 de jan. de 2011
Um ser taciturno
Uma vez uma pessoa me disse que eu sou um ser taciturno. Sim, taciturno.
Eis aqui a significado de taciturno:
Prefiro falar por silêncios. Gosto de adivinhar o mais estranho e absurdo pensamento seu. Gosto de brincar com olhares. Prefiro não dar sentido à nada. Não quero sentido. Não quero palavras. Não quero nada.
A verdade é que sempre esperei muito das pessoas, quando muitas vezes nem eu mesma posso dar o que quero. Mas, agora, não quero nada. Eu não quero você, não quero ele, não quero ela. Não quero suas palavras e não quero sua vida. Não quero aos pedaços, não quero pouco. Não quero viver com a terrível constatação de ter tudo hoje, e não ter nada amanhã. Talvez ninguém queira.
Talvez por isso seja tão difícil ter encontros verdadeiros, singelos, puros. A maioria das pessoas não se entregam ao perigo de viver, de se arriscar, de se doar por inteiro. É tão mais fácil criar um escudo e continuar vivendo. É tão mais fácil se anestesiar e não se arriscar. É tão mais fácil viver, mas não estar vivendo, de fato.
Eu não me isento disso. (I'm not living, I'm just killing time) De tempos em tempos, crio verdadeiros escudos e carapuças que me impedem de ser o que realmente sou. E, então, vivo por viver. Vivo matando meu tempo. Vivo por ter que acordar 7 horas da manhã e ir realizar tarefas matinais. Vivo por dinheiro, ou pelo simples fato de que preciso "ter dinheiro". Crio em mim uma verdadeira ideia de que sou mais feliz em esconder o que tem de mais bonito em mim: eu mesma.
Não fuja de você. Pense, grite, corra, viva, se arrisque. Você é bobo? Seja você. Seja o Tom Hansen da Summer. Seja o Joel Barish da Clementine. Seja o idiota que você sempre foi.
Você a ama? Então mostre isso. Fale isso. Quebre pratos. Saia na chuva. Corra. Grite novamente. Chore. Sofra. Tente novamente falar o quanto você a ama. Se nada surtir efeito, chore novamente. Chore. Chore. Chore. Chore. Por dias, noites, madrugadas, vidas. Mas, depois, levante-se. E, não esqueça: continue na busca, sempre.
Eis aqui a significado de taciturno:
Talvez isso seja um pouco Clariceano demais, mas, sim, sou um ser silencioso, inquieto, imprevisível e sombrio. Não sei ser diferente: sou intensa demais, e como diz Maiakovski, "sou toda coração, em todas as partes pulso". Sim, sim, sim. Quero gritar, quero correr, quero dormir, quero viver, quero falar, quero entender: na minha hora, do meu jeito.adj. Que fala pouco; calado, silencioso.
Triste, tristonho, sombrio.
Prefiro falar por silêncios. Gosto de adivinhar o mais estranho e absurdo pensamento seu. Gosto de brincar com olhares. Prefiro não dar sentido à nada. Não quero sentido. Não quero palavras. Não quero nada.
A verdade é que sempre esperei muito das pessoas, quando muitas vezes nem eu mesma posso dar o que quero. Mas, agora, não quero nada. Eu não quero você, não quero ele, não quero ela. Não quero suas palavras e não quero sua vida. Não quero aos pedaços, não quero pouco. Não quero viver com a terrível constatação de ter tudo hoje, e não ter nada amanhã. Talvez ninguém queira.
Talvez por isso seja tão difícil ter encontros verdadeiros, singelos, puros. A maioria das pessoas não se entregam ao perigo de viver, de se arriscar, de se doar por inteiro. É tão mais fácil criar um escudo e continuar vivendo. É tão mais fácil se anestesiar e não se arriscar. É tão mais fácil viver, mas não estar vivendo, de fato.
Eu não me isento disso. (I'm not living, I'm just killing time) De tempos em tempos, crio verdadeiros escudos e carapuças que me impedem de ser o que realmente sou. E, então, vivo por viver. Vivo matando meu tempo. Vivo por ter que acordar 7 horas da manhã e ir realizar tarefas matinais. Vivo por dinheiro, ou pelo simples fato de que preciso "ter dinheiro". Crio em mim uma verdadeira ideia de que sou mais feliz em esconder o que tem de mais bonito em mim: eu mesma.
Não fuja de você. Pense, grite, corra, viva, se arrisque. Você é bobo? Seja você. Seja o Tom Hansen da Summer. Seja o Joel Barish da Clementine. Seja o idiota que você sempre foi.
Você a ama? Então mostre isso. Fale isso. Quebre pratos. Saia na chuva. Corra. Grite novamente. Chore. Sofra. Tente novamente falar o quanto você a ama. Se nada surtir efeito, chore novamente. Chore. Chore. Chore. Chore. Por dias, noites, madrugadas, vidas. Mas, depois, levante-se. E, não esqueça: continue na busca, sempre.
27 de jan. de 2011
Entre nós.
Quando tudo pareceu sem tom, sem graça, sem som, você chegou. Sim, você. Eu não esperei em nenhum momento pela "grande pessoa", pelo "grande momento", ou pelo "grande amor". Já não acreditava em grandes, absurdos e mágicos amores. Já não acreditava que em algum momento existiria uma contemplação interior tão imensa e tão intensa que me perderia dentre os nós. Agora os nossos nós se perderam entre eu e você."Às vezes parece até que a gente deu um nó"
Já não acreditava em bons dias, boas tardes e boas noites. Já não acreditava em momentos únicos e desconsertos necessários. Durante algum tempo, vivemos um mundo paralelo e não acreditamos estar no mesmo lugar. Eu estava aqui, você estava aí, mas, ao mesmo tempo, entre os nossos nós e nossos eus, estavámos no mesmo lugar.
Deito-me nos seus braços e peço para que fique em silêncio. Comunicamos aos nossos muitos eus o sentimento de olhar, de contemplar, de sentir tudo o que se passa ao nosso redor. Ao pôr-do-sol, enquanto olho os seus olhos, penso: chegamos perto da perfeição.
As nossas paredes são limites. O nosso amor é uma pequena amostra desse lugar. Pequenos, breves e sarcásticos momentos vivemos enquanto outros olham e pensam: como são singelos os seus olhares, tão ilegais.
Penso nesses nós e nesses eus. Penso em você e em mim. Eu poderia morrer agora e ainda lembrar que me baguncei inteira dentro de você e agora estou perdida. Poderia ir embora agora e ainda assim lembrar que estive perto da ideia mais sensível e singela de "amor". Poderia escrever um livro com as linhas e os nós, com as palavras e os gestos. Poderia desenhar todos os seus movimentos e gravar no meu eu mais íntimo. Poderia escrever em mim todas as suas palavras, poderia fincar no meu coração os nossos dias. Poderia escrever o mundo nas suas mãos e te dar de presente o que tem de mais bonito em mim. Entrego à você os meus nós e as minhas linhas. Receba-me.
4 de nov. de 2010
#de outro lugar
Acordei numa manhã ensolarada de um quase novembro esquecido. Tinha tudo dentro de mim. Tinha esperanças, amores, fantasias. Agora só resta alguma coisa indefinível e incomunicável. Não sinto nada mais do que um simples medo e pavor de que as coisas dentro de mim estejam esquecidas. Do resto, tenho um súbito desejo de que aqui dentro não exista só folhas secas e galhos tortos. Estou tão esquecida e tão estagnada que nenhum desejo brota em mim. Estou só.
Eu tentei de todas as formas organizar mentalmente o que eu sinto, da forma que eu sinto, em que circunstâncias eu sinto. Pobre de mim, não sabia que a definição limita a possibilidade de crescimento e de potência. Quis muito esquecer todos os janeiros, fevereiros, marços, abris, maios, junhos, julhos, agostos. Quis apagar tudo em mim, me perder no infinito da minha pequena existência. Quis ser diferente, quis tentar, quis mudar. Mas, de forma alguma sabia que algumas feridas não cicatrizam tão rapidamente. O sangue brota, a ferida fica.
Nunca soube de todas as pessoas que existem em mim. Mas, são tantas, tão vastas e tão distintas que você seria incapaz de reconhecê-las. Sou eu, em mim, em você, e em outras mil pessoas. Hoje sou tudo e não sou nada. Hoje não quero nada mais do que um simples suspiro me avisando da próxima parada. Para onde vamos? Quem me guia? Hoje sou só essa pessoa que está eternamente a procura do inexistente.
Eu quero ir embora. De mim, dos outros, de você. Queria poder acordar e não lembrar de nada o que aconteceu até hoje. Queria ser nova. Queria acordar em um novo corpo, em uma nova cidade, com uma nova família. Queria esquecer todos os segundos que se passaram até hoje. Queria poder entender tudo isso e não ter a sensação de que tudo está indo embora aos poucos...
Tudo foi embora... Sou uma torneira vazando gota por gota. Sou uma gota de orvalho em um inverno esquecido. Não sou nada. Não quero ser nada e não quero ter nada, apenas por um segundo, apenas por esse momento.
Eu tentei de todas as formas organizar mentalmente o que eu sinto, da forma que eu sinto, em que circunstâncias eu sinto. Pobre de mim, não sabia que a definição limita a possibilidade de crescimento e de potência. Quis muito esquecer todos os janeiros, fevereiros, marços, abris, maios, junhos, julhos, agostos. Quis apagar tudo em mim, me perder no infinito da minha pequena existência. Quis ser diferente, quis tentar, quis mudar. Mas, de forma alguma sabia que algumas feridas não cicatrizam tão rapidamente. O sangue brota, a ferida fica.
Nunca soube de todas as pessoas que existem em mim. Mas, são tantas, tão vastas e tão distintas que você seria incapaz de reconhecê-las. Sou eu, em mim, em você, e em outras mil pessoas. Hoje sou tudo e não sou nada. Hoje não quero nada mais do que um simples suspiro me avisando da próxima parada. Para onde vamos? Quem me guia? Hoje sou só essa pessoa que está eternamente a procura do inexistente.
Eu quero ir embora. De mim, dos outros, de você. Queria poder acordar e não lembrar de nada o que aconteceu até hoje. Queria ser nova. Queria acordar em um novo corpo, em uma nova cidade, com uma nova família. Queria esquecer todos os segundos que se passaram até hoje. Queria poder entender tudo isso e não ter a sensação de que tudo está indo embora aos poucos...
Tudo foi embora... Sou uma torneira vazando gota por gota. Sou uma gota de orvalho em um inverno esquecido. Não sou nada. Não quero ser nada e não quero ter nada, apenas por um segundo, apenas por esse momento.
14 de out. de 2010
and I miss you is not enough
This is not a love story.
This is a sad, sad, sad illusion.
Você nunca imagina que algumas coisas vão acontecer justamente com você. Sim, com você. Por que não com o Joãozinho? Por que não com a Mariazinha? Por que não com a Ana, a Beth, a Fernanda? Por que você? Por que você foi escolhido?
Você se pergunta todos os dias a mesma coisa. Por quê? Por que aconteceu com você? Por que logo você? E nenhuma resposta surge do eco e do abismo da pergunta. Por quê? Por quê? Por quê? Nenhuma resposta, nenhuma voz, nenhuma explicação. Nada. Ninguém vai falar porque isso aconteceu logo com você.
Algumas pessoas vão tentar elaborar algumas respostas. Você vai se acostumar com algumas pouco a pouco, já que a grande resposta nunca irá surgir. Outras respostas como: "era para ter sido", "aconteceu", ou simplesmente, "é a vida", vão fazer você se sentir um pouco mais confortável.
A velha pergunta ainda estará lá. Gritando todos os dias, lutando contra seu corpo e seu espírito. A velha pergunta escutará músicas e verá rostos e você continuará louco se perguntando: por que comigo? Por que assim? Por que dessa forma?
Depois de um tempo você começa a entender que talvez a pergunta não precisa ser dirigida a uma grande voz, um grande eco ou a uma grande pessoa, mas a você mesmo. A velha pergunta começará a perturbar seu sono e não deixará você dormir. Pensará, calmo, que talvez não exista resposta para a velha pergunta.
Que grande, velha, péssima e angustiante pergunta! Você já não suporta acordar todos os dias pensando na mesma questão. Você se perguntará todos os dias porque a distância é a melhor solução para todos as perguntas. Você pensará: "não cultivarei a distância, não suportarei os dias".
Os dias passam e a mesma sensação de fracasso e de ilusão permeia seu cotidiano. "Por que não posso.. Por que não posso ficar perto?" Você pensa. A velha discussão sobre como poderemos ser melhores longe um do outro nos habita pouco a pouco...mas você continua pensando: por quê? Por que tão duro, tão de repente?".
E então, em um de repente não mais que de repente, você chega a conclusão que não se trata da terceira pessoa do singular, mas sim da primeira pessoa do singular..De uma hora para outra, as velhas questões, velhas respostas e velhas perguntas começam a se ressignificar, e você começa a utilizar o "eu": E eu, que plantei no meu jardim tudo o que existe de melhor em mim e em você. E eu, que jamais acreditei em tardes ensolaradas e pensamentos desconcertantes. E eu, que não acreditava que sorrisos poderiam me fazer sorrir. E eu, que sentei ao seu lado, em uma tarde de sábado... e vivi tudo aquilo que um dia achei que não pudesse viver. E eu, que passei a acreditar que momentos sinceros e bonitos ainda são possíveis de acontecer...
Construi em mim todas as coisas mais bonitas, mais claras e mais doces. Achei que estava alimentando uma erva daninha, mas acabei plantando uma grande samambaia. Você começou a destruir minhas janelas, minhas paredes, meus limites. Você...
Estou ácida e seca por dentro. Vivo na esperança de "um dia depois..". Vivo o momento em que você voltará. Sempre, aqui, na minha vida, no meu quarto, nos meus livros, nos meus cds, nas minhas lembranças. Nas minhas canetas, nos meus papéis, na minha escrita. Vivo o "você-em-mim". Vivo a oportunidade de mais um dia ensolarado, de mais uma noite doce. Vivo suas palavras, seus gestos, seu sorriso.
Não sei se estou vivendo, quem sabe amanhã...quem sabe depois, quem sabe "um dia após esse dia", quem sabe um dia após essa tarde. Quem sabe sempre, quem sabe hoje, quem sabe agora.
Talvez hoje, amanhã, ou daqui um mês, você possa reviver em mim. Talvez você apareça em 367 dias. Talvez eu esteja longe de casa, talvez eu seja alguém que você não conheceu hoje. Talvez esteja entretida com minhas outras questões existenciais. E aí, talvez, você pense que seja mais fácil e mais prático você simplesmente sumir. E você some...
This is a sad, sad, sad illusion.
Você nunca imagina que algumas coisas vão acontecer justamente com você. Sim, com você. Por que não com o Joãozinho? Por que não com a Mariazinha? Por que não com a Ana, a Beth, a Fernanda? Por que você? Por que você foi escolhido?
Você se pergunta todos os dias a mesma coisa. Por quê? Por que aconteceu com você? Por que logo você? E nenhuma resposta surge do eco e do abismo da pergunta. Por quê? Por quê? Por quê? Nenhuma resposta, nenhuma voz, nenhuma explicação. Nada. Ninguém vai falar porque isso aconteceu logo com você.
Algumas pessoas vão tentar elaborar algumas respostas. Você vai se acostumar com algumas pouco a pouco, já que a grande resposta nunca irá surgir. Outras respostas como: "era para ter sido", "aconteceu", ou simplesmente, "é a vida", vão fazer você se sentir um pouco mais confortável.
A velha pergunta ainda estará lá. Gritando todos os dias, lutando contra seu corpo e seu espírito. A velha pergunta escutará músicas e verá rostos e você continuará louco se perguntando: por que comigo? Por que assim? Por que dessa forma?
Depois de um tempo você começa a entender que talvez a pergunta não precisa ser dirigida a uma grande voz, um grande eco ou a uma grande pessoa, mas a você mesmo. A velha pergunta começará a perturbar seu sono e não deixará você dormir. Pensará, calmo, que talvez não exista resposta para a velha pergunta.
Que grande, velha, péssima e angustiante pergunta! Você já não suporta acordar todos os dias pensando na mesma questão. Você se perguntará todos os dias porque a distância é a melhor solução para todos as perguntas. Você pensará: "não cultivarei a distância, não suportarei os dias".
Os dias passam e a mesma sensação de fracasso e de ilusão permeia seu cotidiano. "Por que não posso.. Por que não posso ficar perto?" Você pensa. A velha discussão sobre como poderemos ser melhores longe um do outro nos habita pouco a pouco...mas você continua pensando: por quê? Por que tão duro, tão de repente?".
E então, em um de repente não mais que de repente, você chega a conclusão que não se trata da terceira pessoa do singular, mas sim da primeira pessoa do singular..De uma hora para outra, as velhas questões, velhas respostas e velhas perguntas começam a se ressignificar, e você começa a utilizar o "eu": E eu, que plantei no meu jardim tudo o que existe de melhor em mim e em você. E eu, que jamais acreditei em tardes ensolaradas e pensamentos desconcertantes. E eu, que não acreditava que sorrisos poderiam me fazer sorrir. E eu, que sentei ao seu lado, em uma tarde de sábado... e vivi tudo aquilo que um dia achei que não pudesse viver. E eu, que passei a acreditar que momentos sinceros e bonitos ainda são possíveis de acontecer...
Construi em mim todas as coisas mais bonitas, mais claras e mais doces. Achei que estava alimentando uma erva daninha, mas acabei plantando uma grande samambaia. Você começou a destruir minhas janelas, minhas paredes, meus limites. Você...
Estou ácida e seca por dentro. Vivo na esperança de "um dia depois..". Vivo o momento em que você voltará. Sempre, aqui, na minha vida, no meu quarto, nos meus livros, nos meus cds, nas minhas lembranças. Nas minhas canetas, nos meus papéis, na minha escrita. Vivo o "você-em-mim". Vivo a oportunidade de mais um dia ensolarado, de mais uma noite doce. Vivo suas palavras, seus gestos, seu sorriso.
Não sei se estou vivendo, quem sabe amanhã...quem sabe depois, quem sabe "um dia após esse dia", quem sabe um dia após essa tarde. Quem sabe sempre, quem sabe hoje, quem sabe agora.
Talvez hoje, amanhã, ou daqui um mês, você possa reviver em mim. Talvez você apareça em 367 dias. Talvez eu esteja longe de casa, talvez eu seja alguém que você não conheceu hoje. Talvez esteja entretida com minhas outras questões existenciais. E aí, talvez, você pense que seja mais fácil e mais prático você simplesmente sumir. E você some...
6 de out. de 2010
peça um drink
e tudo começa quando você acorda, escova os dentes, toma banho, toma café...
sim. cotidianamente quase não lembramos desses fatos. acordamos - com sono, cansado, puto, ou seja lá o que for - pois é. o mais engraçado é que jamais pensamos nisso - sim, que acordamos -, raro algumas vezes que é penoso acordar. pois é. acordamos. tomamos café. escovamos os dentes.
o fato é que todos os dias parecem iguais, mas não são, jamais são. algumas vezes acordamos, outras vezes não. às vezes queremos continuar dormindo - por sono ou por sonho. mas, o que quero falar aqui não é precisamente sobre o começo de tudo.
sua vida começa - e termina - quando algo de diferente acontece. a sua vida começa quando você se apaixona. quando você sente raiva, sente dor, ou... quando você pede um drink.
quando você se apaixona e não tem a mínima idéia do que a outra pessoa sente - bem, isso acontece muitas vezes - aí é que a vida realmente começa! vamos lá para os detalhes principais:
1) você não consegue dormir bem;
2) você não tem concentração para realizar qualquer tipo de atividade;
3) você passa o dia inteiro olhando pro celular esperando a bendita mensagem ou a bendita ligação - e ela não chega!;
4) você tenta, tenta, tenta. você faz de tudo, tudo, para pelo menos receber o mínimo de atenção;
5) de repente, aquela ligação ou aquela mensagem modifica todo o seu dia;
6) depois, você passa uns cinco dias morrendo, segurando suas mãos para evitar qualquer toque desnecessário, qualquer risco;
7) novamente... você passa o tempo inteiro checando o celular, e até se questiona se a rede telefônica não está impedindo uma ligação ou uma mensagem, e você morre só de pensar nisso!
8) você faz de tudo para evitar qualquer tipo de aproximação, para não piorar a sua situação dramática e falida - loser e pós-moderna;
9) você checa todas as suas músicas só para ter uma idéia de qual música pareceria mais com aquela pessoa - e sim, se achar, bem, isso é um risco;
10) depois de cinco, seis, sete, dez, doze, quatorze dias... você começa a se acostumar com a idéia de que a vida é pós-moderna, os relacionamentos são fugazes, o amor é líquido, e as mensagens são meras coincidências da vida - irônicas, sarcásticas e sem graça.
11) mas, tudo bem - pensa você. algum dia você vai estar na posição do destinatário. sim, algum dia.
a questão é... sabemos de todos esses pequenos detalhes, sabemos dos riscos, sabemos dos nós, das linhas, das teias. sabemos do perigo de demonstrar carinho ou afeição, e ... também sabemos da possibilidade do menor retorno. sabemos, mas corremos... lutamos, ferimos, somos feridos, e, ainda assim... continuamos.
de qualquer forma, como disse o meu querido caio f, amigo de todas as horas... "quando sentir algo muito forte, peça um drink.". precisamente neste minuto, é uma pena que eu não tenho um drink.
sim. cotidianamente quase não lembramos desses fatos. acordamos - com sono, cansado, puto, ou seja lá o que for - pois é. o mais engraçado é que jamais pensamos nisso - sim, que acordamos -, raro algumas vezes que é penoso acordar. pois é. acordamos. tomamos café. escovamos os dentes.
o fato é que todos os dias parecem iguais, mas não são, jamais são. algumas vezes acordamos, outras vezes não. às vezes queremos continuar dormindo - por sono ou por sonho. mas, o que quero falar aqui não é precisamente sobre o começo de tudo.
sua vida começa - e termina - quando algo de diferente acontece. a sua vida começa quando você se apaixona. quando você sente raiva, sente dor, ou... quando você pede um drink.
quando você se apaixona e não tem a mínima idéia do que a outra pessoa sente - bem, isso acontece muitas vezes - aí é que a vida realmente começa! vamos lá para os detalhes principais:
1) você não consegue dormir bem;
2) você não tem concentração para realizar qualquer tipo de atividade;
3) você passa o dia inteiro olhando pro celular esperando a bendita mensagem ou a bendita ligação - e ela não chega!;
4) você tenta, tenta, tenta. você faz de tudo, tudo, para pelo menos receber o mínimo de atenção;
5) de repente, aquela ligação ou aquela mensagem modifica todo o seu dia;
6) depois, você passa uns cinco dias morrendo, segurando suas mãos para evitar qualquer toque desnecessário, qualquer risco;
7) novamente... você passa o tempo inteiro checando o celular, e até se questiona se a rede telefônica não está impedindo uma ligação ou uma mensagem, e você morre só de pensar nisso!
8) você faz de tudo para evitar qualquer tipo de aproximação, para não piorar a sua situação dramática e falida - loser e pós-moderna;
9) você checa todas as suas músicas só para ter uma idéia de qual música pareceria mais com aquela pessoa - e sim, se achar, bem, isso é um risco;
10) depois de cinco, seis, sete, dez, doze, quatorze dias... você começa a se acostumar com a idéia de que a vida é pós-moderna, os relacionamentos são fugazes, o amor é líquido, e as mensagens são meras coincidências da vida - irônicas, sarcásticas e sem graça.
11) mas, tudo bem - pensa você. algum dia você vai estar na posição do destinatário. sim, algum dia.
a questão é... sabemos de todos esses pequenos detalhes, sabemos dos riscos, sabemos dos nós, das linhas, das teias. sabemos do perigo de demonstrar carinho ou afeição, e ... também sabemos da possibilidade do menor retorno. sabemos, mas corremos... lutamos, ferimos, somos feridos, e, ainda assim... continuamos.
de qualquer forma, como disse o meu querido caio f, amigo de todas as horas... "quando sentir algo muito forte, peça um drink.". precisamente neste minuto, é uma pena que eu não tenho um drink.
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